Skip to main content
    Voltar ao Blog

    Agentic Commerce: o que é e como impacta suas vendas

    Entenda o que é agentic commerce, os dados por trás da mudança e como líderes de e-commerce devem se preparar. Agende uma conversa com a Develoci.

    DevelociPor Develoci27 de jul. de 2026
    Agentic Commerce: o que é e como impacta suas vendas

    Agentic commerce é o modelo de e-commerce em que agentes de IA conduzem parte da jornada de compra, desde a busca até a recomendação de produto, interpretando a intenção real do consumidor em vez de depender de palavras-chave exatas. Na prática, isso significa que um cliente pode digitar "roupa pra usar num show de música country num dia quente" e receber resultados relevantes, algo que a busca tradicional de e-commerce simplesmente não entrega.

    Esse movimento não é promessa de futuro distante: segundo dados divulgados pela Salesforce, 39% dos consumidores já usaram IA para encontrar produtos, e na última temporada de fim de ano o tráfego referenciado por IA e agentes respondeu por 21% de todos os pedidos globais no varejo, o equivalente a US$ 263 bilhões em vendas. Se a busca do seu site ainda depende de regras rígidas e sinônimos cadastrados manualmente, esse é o momento de entender o que muda e o que fazer a respeito.

    O problema que o agentic commerce resolve

    A busca de produto na maioria dos e-commerces foi construída há duas décadas, num modelo pensado para decifrar poucas palavras-chave exatas. O consumidor aprendeu a "traduzir" o que queria em termos curtos e diretos porque era isso que o motor de busca entendia.

    Esse comportamento mudou. O consumidor quer digitar do jeito que fala, com frases completas, gírias e contexto. Motores de busca tradicionais não interpretam linguagem natural, e o resultado é a temida página de "nenhum resultado encontrado" justamente no momento em que o cliente está pronto para comprar. Para compensar essa limitação, times de e-commerce e merchandising acabam criando milhares de regras e sinônimos manuais, um trabalho que consome tempo da equipe sem resolver o problema na raiz.

    É esse gargalo, técnico na origem mas comercial no impacto, que o agentic commerce ataca: uma camada de busca nativa em IA que entende intenção, não apenas palavras.

    Como funciona a busca com IA nativa

    Diferente da busca por palavra-chave, uma engine de busca agêntica interpreta consultas conversacionais, gírias, referências culturais e até erros de digitação, entregando uma experiência de compra contextual diretamente no catálogo do site.

    O ponto técnico relevante para quem lidera e-commerce é como esse tipo de solução resolve a falta de dados. A maioria das marcas não tem o volume de tráfego e histórico de cliques dos grandes marketplaces, o que normalmente limita a performance de qualquer IA. Para contornar isso, soluções desse tipo simulam milhões de jornadas de compra sobre o catálogo do próprio cliente, criando dados sintéticos sobre o que converte e construindo um modelo de linguagem específico para cada varejista. Isso multiplica de 10 a 20 vezes o volume de dados de treinamento disponível, segundo a Salesforce, dando a marcas de qualquer porte um tipo de vantagem de dados antes restrita aos grandes players do varejo.

    Esse é o tipo de decisão de arquitetura que vale discutir com quem já lida com IA no desenvolvimento de e-commerce no dia a dia, porque a implementação técnica define o quanto desse potencial realmente chega ao cliente final.

    Os números que importam para o negócio

    Para quem responde por receita online, o que interessa não é a arquitetura em si, mas o efeito na conversão e na operação. Os dados divulgados pela Salesforce sobre clientes que adotaram busca agêntica mostram três frentes de impacto:

    • Redução de trabalho manual: em média, 85% menos regras de merchandising criadas e mantidas manualmente, liberando o time de curadoria de catálogo para foco estratégico em vez de correção reativa de dados.

    • Ganho direto de conversão: aumento de até 33% em cliques por visita, 17% em adição ao carrinho e 12% em receita por usuário, quando o cliente encontra exatamente o que procura.

    • Tempo de implementação menor: integração nativa à plataforma reduz o prazo de "meses" para "dias", eliminando parte do custo de licenciamento e manutenção de soluções de busca de terceiros.

    Para um líder de e-commerce que lida com backlog grande e pressão para lançar mais rápido sem crescer o time, esse último ponto é o mais concreto: menos regras manuais e integração mais rápida significam menos horas de equipe presas em manutenção reativa e mais capacidade para o que gera receita.

    Exemplo real: da experiência de loja física para o site

    Um caso público divulgado pela Salesforce ilustra bem o problema. A West Marine, varejista de equipamentos náuticos e de pesca nos Estados Unidos, é conhecida pelo atendimento consultivo de seus vendedores em loja física, capazes de identificar exatamente a peça certa para cada barco. Replicar essa experiência online era um desafio real: um cliente iniciante buscando "óleo para barco" esbarrava em ferramentas de busca tradicionais que exigiam número exato de peça ou devolviam uma lista genérica de lubrificantes marítimos, sem contexto.

    A empresa usou busca agêntica para potencializar a busca, as recomendações e seu assistente digital, batizado de Skipper. Como o sistema entende a intenção por trás da consulta e os detalhes do catálogo, o assistente consegue guiar o cliente até o óleo correto para o motor específico dele, sem exigir que o consumidor saiba especificações técnicas de antemão. É a experiência de loja física traduzida para o digital, sem depender de mais atendentes humanos para cada conversa.

    O que muda para quem já está no Salesforce Commerce Cloud (e para quem não está)

    Para operações em Salesforce B2C Commerce, a busca agêntica já está disponível como camada nativa, ativável sobre os dados de catálogo existentes. Para quem opera em outras plataformas, como Shopify, SAP, VTEX ou stacks próprias, o mesmo tipo de capacidade pode ser acessado via APIs headless, o que significa que a decisão real não é "trocar de plataforma", mas "como integrar essa camada de inteligência à arquitetura que já existe".

    Esse é exatamente o tipo de decisão que costuma esbarrar nos limites da plataforma SFCC ou em arquiteturas legadas que não foram pensadas para expor dados de catálogo e comportamento de forma flexível. Antes de adotar qualquer camada de busca agêntica, vale mapear se a arquitetura atual suporta esse tipo de integração sem retrabalho.

    Trade-off honesto: o que o agentic commerce não resolve sozinho

    Vale um ponto de cautela. Busca agêntica melhora drasticamente a interpretação de intenção e a personalização, mas depende de dados de catálogo bem estruturados e de integração correta com sistemas de estoque, preço e personalização já existentes, como os que alimentam a API ShopperContext do Salesforce. Uma camada de IA sobre um catálogo desorganizado ou uma integração mal feita entrega resultados inconsistentes, e a expectativa do consumidor com IA é mais alta, não mais tolerante a erro. Adotar agentic commerce é menos sobre "ligar uma funcionalidade" e mais sobre garantir que a base técnica sustente a promessa.

    Conclusão

    Agentic commerce já move parcela relevante das vendas online no mundo e tende a crescer como canal de descoberta de produto. Para quem lidera e-commerce, o ganho não está na tecnologia em si, mas no que ela destrava: menos trabalho manual de merchandising, mais conversão e uma experiência de busca que finalmente entende o cliente como ele fala. A decisão de como e quando adotar essa camada, porém, depende da arquitetura e dos dados que sustentam seu catálogo hoje.

    Se sua operação já sente o peso de regras de busca manuais, integrações limitadas ou uma arquitetura que não acompanha o ritmo do mercado, vale agendar uma conversa com a Develoci para avaliar o caminho técnico mais adequado ao seu negócio, sem precisar crescer o time interno para isso.